Em Construção
Poemas, crônicas e mais... Sentimentalidades impossíveis de classificar, lamúrias, choros e rezas, músicas e livros, flores e frutas, fatos e fotos e principalmente chás e cafés. Simplesmente escrevo, não sou um talento, muito menos brilhante, não faço nada para agradar, faço para agradar-me, afinal, sou um ser em construção.Tudo aqui é ilusão.Tudo aqui é ficção. “Acho que eu fico mesmo diferente quando falo tudo o que penso realmente”
12 Fevereiro 2012
25 Janeiro 2012
O que fomos nós?
Fomos Liberdade
Fomos Consolação
| Av. Paulista - By Wacinom |
Fomos Paraíso
Fomos Luz
Fomos Retiro
Fomos Centro
Fomos Jardins
Fomos Pinheiros
Fomos Amaro
Fomos Cecília
Fomos Efigênia
Fomos Pompéia
Fomos Brás
Fomos Bexiga
Fomos Barra Funda
Fomos Higienópolis
Fomos tudo e
Fomos nada
Fomos além, mas
O que fomos nós?
Fomos Bela Paulista.
Postado por: Wacinom
Hora: O quê?
Data real: aniversário de São Paulo
21 Janeiro 2012
Heroes
“Um dia vivi a ilusão de que ser homem
bastaria (...) Quem dera pudesse todo homem
compreender, ó mãe, quem dera (...)”
GIL, Gilberto. Super Homem a canção. Álbum:Realce, 1979.
De onde surgiu essa busca, essa necessidade de desvendar os mistérios da vida, quando as coisas mais simples nunca serão respondidas?
O que é a alma?
Por que sonhamos?
Talvez seja melhor não pensarmos nisso. Não investigar.
Mas essa não é a natureza humana? Não é o que temos no coração?
Não estamos aqui por isso? Essa busca essa necessidade de desvendar os mistérios da vida.
No final, que diferença faz se o coração só consegue achar sentido nos pequenos momentos?
E eles estão aqui entre nós, nas sombras, na luz em toda parte.
Postado por: Wacinom
Hora:da busca
Data real:21/01/2012
02 Janeiro 2012
Por todos os lados
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| www.luxoseluxos.com.br/ |
As pessoas são criaturas complicadas. Por um lado são capazes de grandes atos de caridade, por outro, são capazes das mais ilícitas formas de traição.
É uma batalha constante que se passa dentro de nós, entre os mais velos anjos de nossa natureza e a tentação de nossos demônios interiores.
E, às vezes, o único jeito de combater as trevas é irradiando a luz da compaixão.
Postado Por: Wacinom
Hora: nova
Data real: dois dias depois
25 Dezembro 2011
Angu de Sangue
12 Dezembro 2011
Um pouco de céu
Por Mafalda Veiga
Só hoje senti
que o rumo a seguir
levava pra longe
senti que este chão
já não tinha espaço
pra tudo o que foge
não sei o motivo pra ir
só sei que não posso ficar
não sei o que vem a seguir
mas quero procurar
e hoje deixei
de tentar erguer
os planos de sempre
aqueles que são
pra outro amanhã
que há-de ser diferente
não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu
só hoje esperei
já sem desespero
que a noite caísse
nenhuma palavra
foi hoje diferente
do que já se disse
e há qualquer coisa a nascer
bem dentro no fundo de mim
e há uma força a vencer
qualquer outro fim
não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu
Postado por: Wacinom
Hora: perdida
Data real: sábado 10 embro
Só hoje senti
que o rumo a seguir
levava pra longe
senti que este chão
já não tinha espaço
pra tudo o que foge
não sei o motivo pra ir
só sei que não posso ficar
não sei o que vem a seguir
mas quero procurar
e hoje deixei
de tentar erguer
os planos de sempre
aqueles que são
pra outro amanhã
que há-de ser diferente
não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu
só hoje esperei
já sem desespero
que a noite caísse
nenhuma palavra
foi hoje diferente
do que já se disse
e há qualquer coisa a nascer
bem dentro no fundo de mim
e há uma força a vencer
qualquer outro fim
não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu
Postado por: Wacinom
Hora: perdida
Data real: sábado 10 embro
08 Dezembro 2011
Então é natal
Por Marcelino FreireMaracabul
Toda criança quer um revolver.
Toda criança quer um revólver para brincar.
Matar os amigos e correr. Matar os índios e os ETs. Matar gente ruim.
O medo, aqui, é de brinquedo, pode crer.
Pá-pá-pá.
Gostoso roubar e sumir pelos buracos do barraco. Pelo rio e pela lama. Gritar um assalto, um assalto, uma assalto. Cercado de PM por todos os lados. Ilhado na Ilha do Maruim. Na boca do quaiamum.
Papai Noel vai entender meu pedido.
Quero um ver´lver comprido, de cano longo.
Socorro!
Socorro!
Ponho a boca do revólver na boca do garoto. Atiro se o outro garoto atirar. Pode tremer que eu não ligo. Choro se quiser chorar.
Eu sou um perigo.
Minha mãe fez frango. Tinha panetone.
E o que mais tinha? Salgadinho. Mas não quero saber de tomar banho.
A gente se enrola na ribanceira. A gente se joga na brincadeira. A gente fica deste tamanho..
Quando eu crescer eu quero matar, quem disse que eu quero morrer?
O Recife fica lá embaixo. Daqui a gente vê. As luzes do porto. O navio ancorado. O homens soltando tojão.
Tiros de canhão.
O banho, você precisa tomar banho. É natal. Papai Noel daqui a pouco chegará. Trará a arma. Nova, calibrada. De meter medo. Que tal uma pistola automática?
Meu amigo acha que o melhor é fuzil. Uma dúzia de granadas.
Nada.
Quero um revólver só. Que estoure os miolos. Fuzile bem nos olhos. E pronto.
Acerte o peito dos outros meninos.
A espinha. Para eles ficarem paraplégicos, tetraplégicos. Arrastarem a perna feito, aquele rato, aquele gato, Feio aquela inda. Na praia, quando se levanta.
Mamãe me chama, diz que está na hora.
A janta está posta.
Coloco a cara na torneira, A água leva a areia. E esfria o sangue. E os meninos, cada um treinado para atacar agora o refrigerante. Em bando. Atacar o panetone.
O quê?
Panetone.
Quem sair vivo do confronto, já pra cama.
Fico aguardando o presente, De repente, Papai Noel chegar enquanto eu estiver dormindo.
E sonhando.
Mamãe, este ano eu fui um bom menino, mas o ano que vem eu quero ficar rico. E ter um carro-forte, um carro do ano.
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| http://www.southpark.com.br |
Juro que não estou brincando.
Minha vida de bandido só está começando.
Isso se Papei Noel não chegar atirando.
Postado por: Wacinom
Hora: da ceia
Data real:25/12/2010
11 Setembro 2011
11 de Setembro
WTC/NY
Ronaldo Bressane
I feel my luck could change
Thom Yorke
.
Com ele foi o tempo de um êxtase.
– Beware.
BREAKING NEWS:
A gente se despediu na noite do 10 de setembro, no meu táxi. Meu batom deixava roxa sua barba. Lembrava dele inteiro: compacto, alto, noturno. Curioso – só havíamos nos encontrado de noite. Mas agora… minúsculos fragmentos de estrelas. Seu corpo dissolvido, se reordenando a outros. Solto de sismo. E não seriam minhas próprias mandíbulas resíduos de crimes do Velho Testamento?
– Look below that sheet of steel. Beware.
JUST DO BIN
– Beatriz, if I had not a leg, do you still love me?
– Sim.
– And if I had not an arm?
– Te amaria.
– And if had my eyes entirely white?
– Claro que te amaria.
– If I had not my cock?
– Bom, aí mandaria você tomar no cu.
Uma semana antes, tínhamos subido aquela mais alta torre. Clandestinos. Eu sonhava com Áfricas. Já tinha ido muito longe como taxigirl em Manhattan, mas, pense, carregando dez quilos de ouro na cintura, na Etiópia? O mundo é grande e é pequeno. A gente imagina que é a evolução; mas se esquece que sobreviveu ao que foi, os projetos, sobras, sombras de babel… Me pendurava na última janela de ponta-cabeça – as estrelas nos pés distraídos – num tapete pra voar ao fim do mundo, até o início do rastejar da mente-camaleão, e pensava no bronco breu e me lembrava que eu, Beatriz, era só uma brasileira rastejando num carro amarelo nessa merda de labirinto, labirintite. Mas como esquecer de, quando, com 17, tonta, sacerdotisa da Ordem Rosacruz, obtive acesso a mistérios ocultos pelos Cavaleiros Templários na Loja da Vila Mariana, em São Paulo, e passei uma tarde sentada na escadaria do colégio Objetivo, na Paulista, meditando convictamente para fazer levitar a sede da Fiesp?
Tudo bem. O passado peca e ele também tinha uns vícios. “Horse, horses, mares and nightmares.” Coisas que pegou e não pagou. Problemas com o bookmaker. Preso passando pot. Nenhum pecado maior que escrever poemas neocaligráficos, criados por um software que desenvolveu, quando ainda estudava no MIT, juntando escrita árabe, teoria dos fractais e ASCII art; nenhum pecado maior que se travestir de Maomé enquanto me fodia quente e lentamente a bunda, a barba me roçando a nuca, nossos braços sangravam… e os edifícios lá embaixo, as avenidas, os automóveis, os hidrantes, os rappers, os mórmons, os yuppies, os paquistaneses, os chicanos, as mammas, os gays e os judeus nos conformes dos Orixás: não precisávamos de nada, cercados por nuvens de sabão em pó e pipocas no microondas e a TV falando dum novo aparelho pra tornar o abdome mais duro, com sete gomos, feito as barrigas dos capoeiristas, no Brasil… o Brasil que se fodesse.
– Beware of the ruins. It’s dangerous running here. Beware of the ruins.
LOVE IS A VIRUS
A serpente se engolia… e nunca as frutas caem longe da árvore… e o Super-Homem não pode girar o mundo ao contrário…
E as garotas que eu transava não tinham a pica que ele tinha. Isso parece óbvio – mas pra uma chupadora de xoxotas como tinha sido durante meus 25 anos, o pau dele emitia raios gama e açúcar do Peloponeso e tinha sido interpretado diretamente dos Cânticos dos Cânticos… embora ele me lambesse o cu como se o Apocalipse batesse à porta.
Nós não sabíamos ainda, mas o Apocalipse já tinha chegado: tomava um chá na ante-sala.
– Beware of the ruins.
AL QAEDA KNOWS THE WAY
Os clientes tão simpáticos quando eu vestia aquela camisa canarinho de merda – era o jeito de ganhar eles. Logo eu, que sempre detestei o Ronaldo: nunca vou entender o porquê de os clientes associarem a Seleção com alguma espécie de hospitalidade. Ser brasileiro no Brasil e imaginar que ser brasileiro fora é lindo, porque todo mundo gosta de brasileiro, é uma idiotice. Ser uma filha da puta que rala dez horas por dia fugindo de todo tipo de tarado por uma cidade de ruas numeradas é uma merda bem mais angustiante. Mas me divertia – ia aos clubes noturnos atrás de deep jungle e encontrava umas nucas tatuadas, uns mamilinhos com piercings…
Ele me contava dos Budas que haviam explodido no Afeganistão. Por aqui, ninguém mora em seu próprio corpo, eu cavilava.
NOTHING IS REAL\NOTHING IS FORBIDDEN
Me chupou os mamilos aí me deu um beijo na boca e eu senti gosto de leite.
– Estou grávida – sorri.
Virou-se, acendeu o narguilé novamente e tragou profundo o haxixe afegão.
– Osama will be the name of the boy.
Insuportável, charmoso, ele só gostava de histórias e música árabe… Acabei pegando costume de ouvir música árabe no táxi. Os clientes estranhavam, uns gostavam, uma ou outra ex-namorada a quem dava carona ria. Sim, seguia sentindo tesão por menininhas de dezoito – perdidinhas, buscando proteção e uma língua inteligente. As mais belas fêmeas souberam da minha fértil buceta. Êxtase de antenas grudadas, horas… Seus pezinhos se enrolando um no outro enquanto suas mãos e línguas quase me faziam provocar um acidente na Times Square às quatro da manhã. E os alto-falantes tremiam o alaúde de Abou-Khalil em conta-gotas às minhas virgens…
Tempo. Tempo. Mandei:
– Como devia ser o céu, antes da queda de Lúcifer?
Seus olhos pretos súbito abertos num relâmpago. Tempo. Olhou a janela e nublou:
–Tomorrow Evil will scream like a pig being rapped.
Levantou, trouxe a seringa, quase cheia.
– A little more tonight ‘cause tomorrow I’ll climb the Great Building – gemeu, voz de puto marroquino, me mostrando seus lindos poemas. Ideogramas alienígenas: nós, um para o outro.
A picada dupla tão sexy quanto um avião aterrisar na tua veia.
– I’ll climb the Great Building, Inshallah – dublou-se.
AMERICA UNDER ATTACK
– There’s a corpse below that sheet of steel.
De tanto andar pelos escombros do WTC, acabei entrando como voluntária para o grupo de resgate. Três meses de busca e reconheci seus poemas – dilacerada tatuagem – num ombro. Em semanas, tenho seu corpo quase completo. Juntei pernas, braços, tronco, cabeça. Falta o pau.
Vai ser uma menina, li, os olhos no rio Hudson, as mãos no ventre, a face vermelha como uma estrela morta.
Ronaldo Bressane
I feel my luck could change
Thom Yorke
.
Com ele foi o tempo de um êxtase.
– Beware.
BREAKING NEWS:
A gente se despediu na noite do 10 de setembro, no meu táxi. Meu batom deixava roxa sua barba. Lembrava dele inteiro: compacto, alto, noturno. Curioso – só havíamos nos encontrado de noite. Mas agora… minúsculos fragmentos de estrelas. Seu corpo dissolvido, se reordenando a outros. Solto de sismo. E não seriam minhas próprias mandíbulas resíduos de crimes do Velho Testamento?
– Look below that sheet of steel. Beware.
JUST DO BIN
– Beatriz, if I had not a leg, do you still love me?
– Sim.
– And if I had not an arm?
– Te amaria.
– And if had my eyes entirely white?
– Claro que te amaria.
– If I had not my cock?
– Bom, aí mandaria você tomar no cu.
Uma semana antes, tínhamos subido aquela mais alta torre. Clandestinos. Eu sonhava com Áfricas. Já tinha ido muito longe como taxigirl em Manhattan, mas, pense, carregando dez quilos de ouro na cintura, na Etiópia? O mundo é grande e é pequeno. A gente imagina que é a evolução; mas se esquece que sobreviveu ao que foi, os projetos, sobras, sombras de babel… Me pendurava na última janela de ponta-cabeça – as estrelas nos pés distraídos – num tapete pra voar ao fim do mundo, até o início do rastejar da mente-camaleão, e pensava no bronco breu e me lembrava que eu, Beatriz, era só uma brasileira rastejando num carro amarelo nessa merda de labirinto, labirintite. Mas como esquecer de, quando, com 17, tonta, sacerdotisa da Ordem Rosacruz, obtive acesso a mistérios ocultos pelos Cavaleiros Templários na Loja da Vila Mariana, em São Paulo, e passei uma tarde sentada na escadaria do colégio Objetivo, na Paulista, meditando convictamente para fazer levitar a sede da Fiesp?
Tudo bem. O passado peca e ele também tinha uns vícios. “Horse, horses, mares and nightmares.” Coisas que pegou e não pagou. Problemas com o bookmaker. Preso passando pot. Nenhum pecado maior que escrever poemas neocaligráficos, criados por um software que desenvolveu, quando ainda estudava no MIT, juntando escrita árabe, teoria dos fractais e ASCII art; nenhum pecado maior que se travestir de Maomé enquanto me fodia quente e lentamente a bunda, a barba me roçando a nuca, nossos braços sangravam… e os edifícios lá embaixo, as avenidas, os automóveis, os hidrantes, os rappers, os mórmons, os yuppies, os paquistaneses, os chicanos, as mammas, os gays e os judeus nos conformes dos Orixás: não precisávamos de nada, cercados por nuvens de sabão em pó e pipocas no microondas e a TV falando dum novo aparelho pra tornar o abdome mais duro, com sete gomos, feito as barrigas dos capoeiristas, no Brasil… o Brasil que se fodesse.
– Beware of the ruins. It’s dangerous running here. Beware of the ruins.
LOVE IS A VIRUS
A serpente se engolia… e nunca as frutas caem longe da árvore… e o Super-Homem não pode girar o mundo ao contrário…
E as garotas que eu transava não tinham a pica que ele tinha. Isso parece óbvio – mas pra uma chupadora de xoxotas como tinha sido durante meus 25 anos, o pau dele emitia raios gama e açúcar do Peloponeso e tinha sido interpretado diretamente dos Cânticos dos Cânticos… embora ele me lambesse o cu como se o Apocalipse batesse à porta.
Nós não sabíamos ainda, mas o Apocalipse já tinha chegado: tomava um chá na ante-sala.
– Beware of the ruins.
AL QAEDA KNOWS THE WAY
Os clientes tão simpáticos quando eu vestia aquela camisa canarinho de merda – era o jeito de ganhar eles. Logo eu, que sempre detestei o Ronaldo: nunca vou entender o porquê de os clientes associarem a Seleção com alguma espécie de hospitalidade. Ser brasileiro no Brasil e imaginar que ser brasileiro fora é lindo, porque todo mundo gosta de brasileiro, é uma idiotice. Ser uma filha da puta que rala dez horas por dia fugindo de todo tipo de tarado por uma cidade de ruas numeradas é uma merda bem mais angustiante. Mas me divertia – ia aos clubes noturnos atrás de deep jungle e encontrava umas nucas tatuadas, uns mamilinhos com piercings…
Ele me contava dos Budas que haviam explodido no Afeganistão. Por aqui, ninguém mora em seu próprio corpo, eu cavilava.
NOTHING IS REAL\NOTHING IS FORBIDDEN
Me chupou os mamilos aí me deu um beijo na boca e eu senti gosto de leite.
– Estou grávida – sorri.
Virou-se, acendeu o narguilé novamente e tragou profundo o haxixe afegão.
– Osama will be the name of the boy.
Insuportável, charmoso, ele só gostava de histórias e música árabe… Acabei pegando costume de ouvir música árabe no táxi. Os clientes estranhavam, uns gostavam, uma ou outra ex-namorada a quem dava carona ria. Sim, seguia sentindo tesão por menininhas de dezoito – perdidinhas, buscando proteção e uma língua inteligente. As mais belas fêmeas souberam da minha fértil buceta. Êxtase de antenas grudadas, horas… Seus pezinhos se enrolando um no outro enquanto suas mãos e línguas quase me faziam provocar um acidente na Times Square às quatro da manhã. E os alto-falantes tremiam o alaúde de Abou-Khalil em conta-gotas às minhas virgens…
Tempo. Tempo. Mandei:
– Como devia ser o céu, antes da queda de Lúcifer?
Seus olhos pretos súbito abertos num relâmpago. Tempo. Olhou a janela e nublou:
–Tomorrow Evil will scream like a pig being rapped.
Levantou, trouxe a seringa, quase cheia.
– A little more tonight ‘cause tomorrow I’ll climb the Great Building – gemeu, voz de puto marroquino, me mostrando seus lindos poemas. Ideogramas alienígenas: nós, um para o outro.
A picada dupla tão sexy quanto um avião aterrisar na tua veia.
– I’ll climb the Great Building, Inshallah – dublou-se.
AMERICA UNDER ATTACK
– There’s a corpse below that sheet of steel.
De tanto andar pelos escombros do WTC, acabei entrando como voluntária para o grupo de resgate. Três meses de busca e reconheci seus poemas – dilacerada tatuagem – num ombro. Em semanas, tenho seu corpo quase completo. Juntei pernas, braços, tronco, cabeça. Falta o pau.
Vai ser uma menina, li, os olhos no rio Hudson, as mãos no ventre, a face vermelha como uma estrela morta.
19 Julho 2011
Chega de Saudade
Os momentos nos quais a música diz tudo.
Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim
Postado: por alguém saudoso
Hora: da saudade
Data real: 19/07/2011
Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim
Postado: por alguém saudoso
Hora: da saudade
Data real: 19/07/2011
11 Julho 2011
Fernando Pessoa - Poesias
Palavras do Pórtico
![]() |
| Blog Agir e Pensar |
“Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: ‘Navegar é preciso, viver não é preciso’.
Quero pra mim espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não Conto gozar a minha vida; nem gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa raça.”
Fernando Pessoa
![]() |
| Blog Fascinante Literaura |
Neste livro lançado pela LP&M pocket, estão reunidas algumas das mais célebres criações de Pessoa em suas diversas fases e de seus heterônimos.
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
Tabacaria
![]() |
| Site Essas e outras |
“Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...”
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...”
Liberdade
“Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...”
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...”
Poema em linha reta
Postado por: uma pessoa
Hora: pessoal
Data real: passou
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